A Geografia do Colchão: Mitos e Verdades sobre Cama Compartilhada e Desenvolvimento Cerebral
- jacquelinepradopar

- 21 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Se você é pai ou mãe, provavelmente já se viu no meio de um verdadeiro "cabo de guerra" de diferentes teorias sobre o sono do seu filho. De um lado, uns defendem que a cama compartilhada é o ideal para um desenvolvimento saudável e imunidade. Do outro, existe o medo constante de criar "maus hábitos" e dependência.
Afinal, onde mora o equilíbrio? Como especialista em neurociência e desenvolvimento humano, convido você a olhar para além das regras e focar no que realmente constrói o cérebro da criança: o vínculo.
Para começar, é preciso desmistificar um ponto: existe uma narrativa de que a cama compartilhada garante um desenvolvimento superior devido ao contato físico contínuo. Contudo, o entendimento atual é que, embora a proximidade facilite a amamentação e a regulação, o vínculo seguro depende da responsividade dos pais ao longo de todo o dia, e não exclusivamente da configuração do sono.
Uma criança que dorme em seu próprio berço, mas que passa o dia recebendo abraços, colo, olho no olho e é atendida com amor ao chorar à noite, está consolidando exatamente a mesma segurança emocional.
O segredo não reside no local físico, mas na disponibilidade emocional. O cérebro infantil busca segurança e corregulação. É fundamental perceber que presença física não garante conexão: é possível estar emocionalmente distante na cama compartilhada, distraído no celular, assim como é possível colocar a criança no berço mantendo um ritual de conexão profundo.
Devemos ter cautela ao romantizar práticas que podem aprisionar a família. A exaustão mina os recursos emocionais dos pais. Além disso, preservar a intimidade do casal não é um ato de rejeição à criança, mas uma manutenção essencial da base familiar. O ambiente molda o cérebro: a criança capta a tensão no ar, e pais desconectados entre si tendem a ter menos paciência na rotina.
Portanto, a decisão mais amorosa é sempre aquela que preserva a saúde mental da família. Se para a sua dinâmica ser saudável for necessário que a criança durma no próprio quarto, essa é a escolha certa. Se a cama compartilhada funciona leve para vocês, ela é maravilhosa também.
Não permita que regras externas definam seu amor. O que garante um desenvolvimento saudável é a certeza da criança de que, ao acordar ou precisar, encontrará acolhimento e responsividade.






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