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Sobre o alto custo de não educar.

  • 25 de fev.
  • 2 min de leitura

Educar dá trabalho. Se não está dando, você não está educando. Estamos apenas reagindo, apagando incêndios ou adiando decisões difíceis.

Educar é um processo de construção de cérebro, caráter e repertório emocional. E processos assim são, cansativos, repetitivos e, muitas vezes, frustrantes para o adulto.

Ser mãe, pai ou cuidador é estar exposto diariamente a um funcionamento cerebral ainda imaturo. A criança pequena não nasce pronta nem com autorregulação disponível “no clique”. Ela depende de um adulto regulado, previsível e consistente para, pouco a pouco, internalizar limites, regras e noções de respeito.

Na prática, isso significa: repetir a mesma orientação inúmeras vezes, sustentar o “não” quando seria muito mais confortável ceder, insistir no combinado mesmo depois de um dia difícil, chamar para guardar os brinquedos de novo.

Esse é o trabalho da educação: constância, rotina, repetição!

Quando, pelo cansaço, o “ah, deixa pra lá” deixa de ser exceção e vira padrão, algo importante acontece. A criança aprende, que limites são negociáveis ao sabor do humor do adulto, os combinados não precisam ser levados tão a sério e a persistência na resistência é recompensada.

Cada vez que o adulto abre mão de sustentar um limite, ele não está se poupando de um desconforto; está apenas adiando esse desconforto para o futuro, geralmente para uma fase em que o custo emocional é bem maior.

Educar é escolher, todos os dias, entre dois tipos de trabalho:

O trabalho de educar agora: repetir, orientar, escutar, acolher, corrigir, reorganizar, voltar ao combinado com firmeza e afeto.

O trabalho de tentar “consertar” depois: gritos, conflitos constantes, dificuldade de cooperação, dinâmicas familiares baseadas no medo, na ameaça ou na desistência.

O primeiro exige energia e presença.

O segundo exige energia, tempo, recursos e, muitas vezes, cobra o próprio vínculo.

Não existem fórmulas mágicas nem atalhos elegantes. Existe a força da constância. Quando um adulto se mantém firme e afetivo, algo essencial acontece: aquilo que hoje é “guerra” vai, gradualmente, se transformando em combinado. O que hoje exige grande esforço consciente, com o tempo, vira repertório interno da criança.

Educar não fica “fácil”. Fica possível.

E, quando a constância entra em cena, o hoje é cansativo, o amanhã começa a fluir melhor e o depois, de fato, se torna mais leve.

Educar com firmeza e afeto não é autoritarismo, nem permissividade travestida de “amor”. É ocupar o lugar de referência: o adulto que acolhe, mas não se ausenta; que escuta, mas não terceiriza as decisões difíceis; que se cansa, mas não abandona o papel.

Não se trata de perfeição. Nenhum pai, mãe ou educador conseguirá sustentar isso 100% do tempo – e a boa notícia é que não precisa. O que transforma uma trajetória não é o dia isolado em que o adulto cedeu pelo cansaço, e sim o padrão que se repete.

O modo como olhamos para o “trabalho” de educar define a qualidade dos adultos e das relações que estamos formando hoje.

 
 
 

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